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Rendimento Básico Incondicional

Rendimento Básico Incondicional

RBI - Uma questão de humanidade

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O que está em causa é, nem mais nem menos, a redefinição do que significa ser humano. Quem vê o ser humano como tendencialmente incapaz, irresponsável, egoísta e ganancioso, não vai defender políticas progressivas para a sociedade. Não vai porque trata-se de um fenómeno de profecia autorrealizada: fará (ou, por inação, deixará de o fazer) o necessário para que a sua visão do mundo – consciente ou inconscientemente – se torne realidade. Já pelo contrário, quem vê o ser humano como fundamentalmente positivo, flexível, dinâmico e cooperativo, irá facilmente apoiar medidas sociais que ajudem a tornar essa visão real. O que fazemos e dizemos é um reflexo do nosso estado interior, portanto é relativamente óbvio que a evolução da sociedade num sentido positivo – um sentido de inclusão, tolerância, coragem e acolhimento da nossa vulnerabilidade – só pode tornar-se uma realidade se uma quantidade suficiente de pessoas se alinhar com uma visão tendencialmente positiva do ser humano. O rendimento básico incondicional é uma ideia nascida há mais de 400 anos, num berço de inclusão e vontade de proporcionar a todos os seres humanos os frutos do seu próprio trabalho e da abundância natural. Continua essa vontade tão atual quanto antes, mas agora, ao contrário dessa altura, há condições cada vez mais evidentes de que somos capazes de atender às necessidades de todos, suportados por tecnologias cada vez mais inteligentes. A concretização desta vontade requer coragem, pois implica exposição das nossas fragilidades, admissão de erros passados e presentes, enfrentando um coro estridente de críticos, mas ajudada pela crença de que a evolução está do lado humano da conexão, do amor, da interdependência. Isto apesar dos medos, das incertezas, das injustiças, das degradações, da desconexão, de todo este lado negro do ser humano que, com origem na falta de amor, tudo cobre com escuridão, medo e desalento.

Defender o rendimento básico incondicional (RBI) é mesmo uma questão de humanidade. O futuro não vai ser traçado pelas vozes críticas, cobardes em saltar para a arena e defender um modelo de desenvolvimento da sua lavra. Vai ser determinado pela força da fragilidade assumida das pessoas que querem realmente uma vida melhor para todos, e que estão dispostas a ligar-se a quem largar as armas e as armaduras sentimentais.

 

André Coelho
Engenheiro / engineer: Ecoperfil, Sistemas Urbanos Sustentáveis Lda.
Músico / musician: Contaminado, MPex
Ativista / activist: RBI Portugal (+ blog RBI), Architects and Engineers for 9/11 Truth, Basic Income News

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