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Rendimento Básico Incondicional

Rendimento Básico Incondicional

Tempo de Escolher

 

Acabei de ver o filme do DeNiro (2015), “Um Senhor Estagiário” e mais um que me agradou deste brilhante actor americano. Realmente este Robert é daqueles que parece que aceita tudo o que se lhe oferece contratar e porventura apesar de alguns só fazerem número, a maior parte da sua carreira foi feita de obras que marcam a vida e gerações.

 

Ainda há pouco tempo ao contar perante uma tertúlia de amigos as dificuldades que eu tive quando fiquei privado da minha voz pela mutilação da laringe relativamente ao acesso de apoios que procurei conseguir para me ajudarem a relançar no mundo do trabalho, sugeriram-me escrever esta experiência porque talvez entenderam interessante lançar-se ao público reflexão sobre um caso como o meu (alguém que por razões de infortúnio ficou privado da sua mais importante ferramenta de trabalho, sua única forma de trabalhar as suas melhores competências: no meu caso, a voz e a capacidade de me fazer perceber o que diga e Vou certamente publicar em breve algo sobre o enorme desafio que um Laringectomizado como eu sofre apesar de hoje viver num mundo repleto de tecnologias de comunicação, pois apesar de tantos e bons meios ao dispor, os serviços sociais e comerciais, os amigos, vizinhos, familiares e até cônjuges parecem não estarem preparados para comunicarem preferencialmente por escrito)

 

Mas ao ver este filme sobre um homem reformado e bem na vida, ou seja, alguém com saúde e vitalidade apesar da idade septuagenária, ainda por cima a auferir uma pensão que lhe permite desafogo a ponto de se dar ao luxo não precisar de ganhar mais dinheiro para poder viajar, pagar hobbies caros desde artes orientais até aprender mandarim (…), com boas relações familiares de filhos e netos para se ocupar e visitar, enfadado com nada disto lhe entusiasmar os dias, se viu tentado experimentar trabalhar como estagiário, isto depois de estar reformado atingindo top de carreira em chefias importantes!

 

Associei este (bom) exemplo a uma das mais frequentes objeções que nós ativistas do RBI sempre nos deparamos quando apresentamos este Direito a um Rendimento Básico Incondicional universalmente atribuído aos cidadãos, que é a ideia que assalta geralmente de súbito todos os que ouvem falar pela primeira vez disto: “então vai-se pagar para as pessoas deixarem de trabalhar, se entregarem ao ócio, se dedicarem à inutilidade... enquanto a produção dos bens essenciais corre o risco de estagnar???”

 

Tal como eu e tantos sobejos exemplos (muitos por meu conhecimento pessoal), a personagem deste filme demonstra que o facto de viver com um garantido rendimento por direito adquirido, não desmotiva procurar ocupar-se a tentar ser útil, pelo contrário. Certamente impõe escolher algo que lhe agrade o desafio, pois o que na verdade um rendimento básico garante a uma pessoa é não ter de aceitar comprometer seu tempo a favor de uma coisa que não lhe agrade por causa de precisar obter sobrevivência a qualquer custo.

 

O mundo e os que mandam nele gostam muito de pensar que sabem o que os outros precisam de fazer e nisto até na política, seja a direita como à esquerda, aflige-lhes a ideia das pessoas poderem decidir o que fazer ao seu próprio tempo. O Trabalho é só digno quando por contrato se obedece a regras de patrão e empregado, tudo o resto é esquisito.

Parece que só percebem 2 modalidades:

Se é empresário a missão do Estado é vigiar controlar-lhe os lucros e aplicar-lhe impostos; se é empregado a missão é zelar-lhe pelos direitos e... aplicar-lhe impostos!

Trabalho como o voluntariado, a dedicação a cuidar de outros, a contemplação, a reflexão, a espiritualidade, a filosofia, a carolice, a imaginação artística, etc., são considerados passatempos de luxo tal como o mero descanso – talvez porque não implicam valores de serviço tabelados?

 

Ter por Direito Humano Universal um RBI, garante sem dúvida a dignidade de qualquer escolha livre feita por cada cidadão, pois não carrega a inevitabilidade da sujeição para evitar a medonha miséria.

Só com uma sobrevivência digna garantida as pessoas têm condições de pensar empenharem-se com as suas melhores competências. Tudo antes disto não é escolha lúcida nem emocionalmente feliz. Sem a certeza dum mínimo conforto, ninguém tem condições para fazer da sua vida uma escolha de Liberdade.

 

Pedro Maciel

Reformado,

Membro de Base do RBI

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